Aterro Sanitário
Há pouco tempo, o aterro sanitário seria a melhor solução para o destino final dos resíduos sólidos das cidades de pequeno, médio e grande porte. Porém, por mais que se tenha um projeto tecnicamente bem feito, esta saída não atende às novas tendências das normas ambientais, onde o lixão é a forma mais degradante para a cidade depositar seus entulhos.
Um aterro, visivelmente, é limpo e com aspecto de solução eficaz, mas esconde um grande perigo que vai perdurar por tempo indeterminado, a liberação de vapores, visto que os gases, principalmente o metano, que é produzido sem parar mesmo depois do aterro desativado, vai para a atmosfera em grande quantidade e a área fica, por várias décadas, inútil a qualquer uso.
Ante o seu funcionamento, os aterros servem como uma ampla capa que esconde e dá condições de produção em grande quantidade de gás metano e chorume. Vale ressaltar, pois, que por maior que seja a tecnologia na sua sucção, não é o eficiente, pois a cobertura de solo de um aterro bem controlado é porosa e há escapamento de gás metano para a atmosfera.
É uma falácia dizer que o aterro sanitário é a solução para os resíduos sólidos das cidades brasileiras, já que existem, no Brasil, alternativas para os resíduos sólidos. Paralelamente ao ‘lixão’ se faz necessário construir uma lagoa de estabilização para o chorume, pois o mesmo é altamente tóxico, a fim de amenizar a degradação ambiental, isso se este for bem construído e tecnicamente aprovado pelos órgãos ambientais.
Aterros são um desperdício de área e de tempo, com custo altíssimo. A não recuperação da extensão que lhe foi destinada tornar-se-á, com o passar do tempo, um verdadeiro cemitério que, mesmo depois de desativado, pode ficar por mais de 30 anos produzindo gás metano na atmosfera, atingindo diretamente a camada de ozônio.
O lixo é um problema de todos, mas principalmente daqueles que detém o poder de decidir o seu destino viável. Estes devem rever e verificar a destinação deste mal, eliminar totalmente e gerar riqueza, ou amenizar os custos de sua eliminação, a fim de que as gerações futuras não Page uma conta alta que nos poderíamos pagar ou resolver hoje. Deve-se retirar o que é aproveitável do lixo e transformá-lo em algo útil, energia elétrica, uma tonelada de lixo corresponde a um barril de petróleo, ou a 500KWh, energia suficiente para uma casa de classe média alta gastaria em um mês.
Há milhares de anos o homem vem utilizando maneiras de se produzir energia através da biodigestão de mistura orgânicas. Do lixo domiciliar, o qual possui material seco, pode ser triado de forma a melhorar o processo de aproveitamento e aumentar valor agregado ao lixo, sendo uma grande , e a parte molhada do lixo, ou parte orgânica, também grande , na produção de gás através da biodigestão, e que produz adubo para recuperação de área degradada e adubo agrícola.
Entretanto, aterro sanitário tido como uma solução é uma bomba relógio que pode explodir a qualquer momento. No Brasil, uma favela foi construída em um aterro sanitário desativado, o qual depois de algum tempo veio a explodir completamente, levando várias pessoas a morte.
Em vários países, especialmente, Alemanha, Estados Unidos, Itália e Holanda, hoje é proibida a construção de aterro sanitário. No Brasil, já existe corrente de ambientalista adotando esta solução, propondo novas resoluções e revendo a lei ambiental a qual se refere ao destino dos resíduos sólidos.
O Brasil é um país que por natureza propicia ótimas condições de adotarmos uma separação para, reciclagem ou incineração. Sendo assim, aterro sanitário para resíduos sólido produzido nos domicílios é, a longo e médio prazo a mais cara e ecologicamente incorreto.
Engº. Vicente O. Bispo
vicentebispo@uol.com.br
